O discreto adeus de um ídolo não lembrado

Nos dias atuais, é difícil ver jogadores que durante sua carreira seguem defendendo apenas um clube.

Recentemente vimos ídolos do futebol brasileiro, como os goleiros Marcos e Rogério Ceni encerrarem suas brilhantes carreiras defendendo as cores de seus clubes de coração.

Na Europa também há casos de amor à camisa e ao time.

A Itália nos deu belos exemplos, com Paolo Maldini no Milan e Francesco Totti, na Roma.

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Porém, entre os raros casos de fidelidade e honra ao manto, o final da carreira de um jogador havia passado despercebido por mim.

O Saint-Étienne, embora ainda seja o maior campeão francês, já há muito tempo não tem espaço e reconhecimento na mídia.

E foi nessa tradicional equipe que Loïc Perrin deu os primeiros e últimos passos dentro dos gramados.

Passei a nutrir uma grande simpatia pelos Verts graças ao “Rumo ao Estrelato” do PES 2008, que me fez jogador da equipe em algumas temporadas. E no jogo, lá estava Perrin, o xerife da zaga e capitão da equipe.

Sua carreira no clube da cidade onde nasceu começou aos 12 anos, na base do St-Étienne. Em 2003 subiu para a equipe profissional, tendo acumulado 470 partidas vestindo a camisa do clube do coração.

Durante todos esses anos, raros foram os títulos: Uma taça da Ligue 2 na temporada 2003/2004 e a Coupe de la Ligue em 2012/2013.

Essa, aliás, foi uma das maiores festas feitas pelo clube, tendo em vista a sua atual posição de coadjuvante no futebol francês.

E lá, no ponto mais alto do altar da consagração, estava Perrin.

Sob o comando de seu capitão, o Saint-Étienne voltou a viver melhores dias no cenário nacional, colocando-se entre os principais times da França.

Voltar à disputa de torneios europeus também foi um marco na trajetória do clube e do jogador.

No entanto, pouco se fala a respeito dos feitos alcançados por ambos.

Talvez pelo fato da França não despertar tanto o interesse de quem acompanha o esporte ou por se tratar de uma equipe sem a mesma relevância que outros clubes possuem atualmente.

O fim da carreira de Perrin passou despercebido por mim, que só me dei conta de sua aposentadoria após não o encontrar mais entre os relacionados para uma partida na atual temporada.

E o final de sua jornada com os Verts teve um gosto amargo e ele sequer teve a oportunidade de atuar os 90 minutos.

A partida tinha tudo para selar sua carreira com chave de ouro. Afinal, tratava-se da final da Copa da França, contra o milionário Paris Saint-Germain.

A vitória, ainda que improvável, seria épica, coroando o encerramento do ciclo de 17 anos entre Perrin e Verts.

Porém, o último capítulo de sua trajetória com o St.-Etienne teve um final melancólico.

Além da derrota por 1 a 0, a decisão ficou marcada pela sua expulsão, ainda aos 30 minutos de jogo.

Com essa última imagem em campo é que, no dia seguinte à perda da final é que Perrin comunicava o fim de sua trajetória no futebol.

O esporte sempre gostou de enaltecer aqueles que escolhem vestir somente uma camisa durante toda a sua carreira.

No entanto, esqueceram de dar a Perrin o seu real valor e destaque por tudo o que fez vestindo o manto do clube de sua cidade natal. Uma pena, quem perdeu foi o futebol.