A um passo (ponto) da glória e alívio

Um ponto. Isso é o que separa o Leeds United do seu retorno à Premier League.

Já são 16 anos longe da elite do futebol inglês. Nesse período o clube tricampeão inglês ainda se viu vivendo o pesadelo de três temporadas seguidas jogando a terceira divisão.

O torcedor dos Whites viveu tempos difíceis todos esses anos. Fato!

No entanto, com a improvável (nem tanto) chegada de um “louco” para ser o técnico, o Leeds parece ter encontrado seu rumo.

Marcelo Bielsa resgatou o espírito competitivo do clube, que há quase uma década era apenas um coadjuvante na Championship.

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O maior responsável pelo resgate do Leeds United

Logo em sua primeira temporada como treinador o clube quase conquistou o tão sonhado acesso. No enanto, a vaga, praticamente garantida, foi perdida na disputa dos playoffs, adiando o sonho do retorno ao clube dos grandes.

Foi um golpe doído, mas todos ficaram com a sensação de que era possível obter o acesso.

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Temporada passada a vaga foi perdida nos playoffs após derrota para o Derby County. Créditos: Getty

A prova disso veio na atual temporada.

Não repetindo os erros cometidos na reta final do campeonato passado, o clube agora precisa conquistar apenas mais um ponto nos próximos dois jogos para finalmente celebrar a volta à Premier League sem depender de mais ninguém.

Em 16 anos muita coisa mudou na elite inglesa. Novos grandes surgiram e conquistaram títulos, outros vivem tempos sem grande destaque e alguns buscam se consolidar como uma das principais forças do país.

O planejamento para o retorno à Premier League deve ser cuidadosamente realizado. Quem contratar, quanto investir e quem manter no elenco da próxima temporada deve se pensado em seus mínimos detalhes.

Afinal, participar apenas por uma única temporada na elite para voltar ao purgatório da segundona é tudo o que clube e torcida não desejam em suas vidas.

Os outros campeões

O Campeonato Paulista é reconhecido como um dos mais disputados torneios estaduais.

Atualmente há amplo domínio dos chamados “quatro grandes”, detentores do maior números de títulos.

No entanto, diversas equipes já puderam provar da glória de conquistar o principal título do futebol paulista.

Eis os outros campeões de São Paulo:

Club Athletico Paulistano

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Sediado na capital Paulista, o Paulistano é um clube poliesportivo.

Atualmente sua modalidade mais forte é o basquete.

No entanto, a equipe ainda é a maior vencedora do Paulistão se não levar em conta Corinthians, Palmeiras, Santos e São Paulo.

O Paulista reúne respeitáveis 11 títulos do campeonato paulista: 1905, 1908, 1913, 1916, 1917, 1918, 1919, 1921, 1926, 1927, 1929

O clube se manteve na disputa do campeonato até a profissionalização do esporte, quando optou por se manter como equipe amadora.

São Paulo Athletic Club

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Clube que teve como mais ilustre jogador Charles Miller, o SPAC conseguiu conquistar quatro títulos do campeonato paulista: 1902, 1903, 1904, 1911.

Sua última participação no torneio foi em 1912. Tudo isso por conta do profissionalismo não-oficial que já existia na Liga, que ainda era considerada “amadora”.

Por conta disso e também pelo fato do estatuto do clube pregava o amadorismo completo, o SPAC decidiu abandonar a disputa.

Atualmente, o clube é uma das principais equipes de rugby do país.

Associação Portuguesa de Desportos

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Único clube da capital, com exceção do Trio de Ferro a vencer Campeonato Paulista e ainda estar em atividade.

A Portuguesa conquistou o título de campeã paulista em três oportunidades: 1935, 1936 e 1973.

Atualmente, longe de viver seus melhores dias, o clube do Canindé busca retornar para elite campeonato estadual, competição que não disputa desde o seu rebaixamento na edição de 2015.

Além disso, a equipe busca retornar às competições nacionais, tendo a Copa Paulista como principal caminho.

Associação Atlética das Palmeiras

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A equipe sediada em São Paulo teve pouco tempo de existência.

Fundada em 1902, a Atlética das Palmeiras encerrou suas atividades em 1929.

No entanto, durante esse período o clube conseguiu conquistar por três vezes o campeonato paulista: 1909, 1910 e 1915.

Após a ruptura dos clubes por conta do impasse sobre a profissionalização do esporte, a equipe se manteve em torneios amadores por alguns anos até suas atividades se tornarem onerosas endividando o clube, que acabou optando por encerrar suas atividades.

Sport Club Germania

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Tradicional equipe da cidade de São Paulo que, a exemplo do antigo Palestra Itália (atual Palmeiras), teve de alterar seu nome por conta da Segunda Guerra Mundial.

Com isso, o clube passou se chamar Esporte Clube Pinheiros.

Ainda assim, no tempo em que ainda era conhecido por Germania a equipe conquistou seus dois títulos paulistas: 1906 e 1915.

Atualmente o Pinheiros é ativo em diversas modalidades, tendo abandonado a prática do futebol  por conta de sua profissionalização no ano de 1933.

Sport Club Americano

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A exemplo da Associação das Palmeiras, o Americano também esteve ativo durante um curto período.

Fundado em 1903, a equipe originalmente era sediada na cidade Santos. No entanto, em 1908 sua sede foi transferida para São Paulo.

A equipe seria extinta no ano de 1916, mas antes disso o Americano conseguiu alcançar a façanha de vencer duas vezes o campeonato paulista: 1912 e 1913, sendo ambas de forma invicta.

Sport Club Internacional

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Com papel fundamental para a criação do futebol paulista, o Internacional foi fundado no ano de 1898.

O clube sagrou-se campeão paulista por duas oportunidades: 1907 e 1928.

No ano de 1933, passando por dificuldades financeiras, decide se fundir com o Antarctica Futebol Clube, formando assim o Clube Atlético Paulista que, em 1937 se funde ao Estudantes-Paulista, sendo por fim incorporado pelo São Paulo Futebol Clube.

Associação Athlética São Bento

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Clube fundado pelo Padre Katon no ano de 1914, o São Bento esteve na disputa do campeonato paulista desde sua fundação até o ano de 1933.

Nesse período, a equipe paulistana conquistou o título do Campeonato Paulista duas vezes: 1914 e 1925.

Suas atividades permaneceram ativas até 1935, ano que foi extinto.

Ituano Futebol Clube

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Clube bastante conhecido até os dias de hoje, o Ituano foi o último clube fora do chamado “grupo dos grandes” a conquistar o título paulista.

A equipe de Itu tem em seu currículo dois campeonatos paulistas: 2002 e 2014

O seu primeiro título foi obtido na edição do campeonato que nao contava com a presença dos principais clubes do estado. Após a conquista da taça, a equipe pôde disputar o Super Paulistão daquele ano, este sim com a presença dos grandes.

Já em 2014, superou o favorito Santos da decisão do torneio.

Associação Desportiva São Caetano

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O azulão viveu seu período de glória no início dos anos 2000.

A equipe de São Caetano foi vice-campeão do Brasileirão por dois anos consecutivos (2000 e 2001).

Além disso, a equipe ficou com o vice-campeonato da Copa Libertadores da América em 2002.

No âmbito estadual, o Azulão conseguiu faturar o título de campeão paulista em 2004, após fazer um final improvável ao lado do Paulista de Jundiaí.

Clube Atlético Bragantino

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A equipe, fundada em 1928 viveu excelente fase na década de 1990.

Foi naquele período em que o clube conseguiu conquistar seu título paulista. Sob o comando de Vanderlei Luxemburgo, a equipe do interior venceu o Novorizontino na “final caipira” de 1990.

Além disso, no ano seguinte o clube chegou à decisão do Campeonato Brasileiro, sendo derrotado pelo São Paulo.

Em 2019 o Bragantino associou-se com a Red Bull, adotando então como nome Red Bull Bragantino.

Associação Atlética Internacional

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Fundada em 1913, a Inter de Limeira é outro clube do interior que conseguiu conquistar o título de campeão paulista.

O feito foi alcançado na edição de 1986, quando a equipe comandada por pelo ex-jogador e ídolo do Santos, Pepe venceu o Palmeiras na decisão .

Além disso, a equipe de Limeira ainda detém o título da Série B do Campeonato Brasileiro de 1988.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Pocket Paulistão

O Paulistão já tem data para voltar. Dia 22 a bola rola para a finalização de um dos principais estaduais do país.

Faltando apenas duas rodadas para o final da primeira fase, o torneio terá seis datas até que se finalmente conheça o campeão paulista de 2020.

Alguns pontos sobre a volta dos jogos:

  • Dentro de um calendário já sofrível, os clubes terão de se desdobrar para, além de dar conta da condição física de seus atletas com a volta aos treinos, tomar todos os cuidados com relação aos protocolos de segurança e ainda assim estarem sujeitos a vê-los se contaminar com o novo coronavírus;

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  • Alguns clubes ainda serão prejudicados com a decisão dos jogos só terem autorização para serem realizados em cidades que se encontram na fase amarela do plano do governo estadual. Assim, sem dúvidas haverá desigualdade na disputa das partidas, uma vez que não será possível exercer o mando de campo para todos os clubes;
  • A exemplo de todos os outros campeonatos pelo país, a edição de 2020 ficará marcada pelos efeitos da pandemia, com clubes se enfraquecendo durante o período, outros desistindo de continuar na disputa e alguns que fizeram de tudo para fazer a bola voltar a rolar a qualquer custo;
  • O nível técnico do torneio certamente será afetado, com a já baixa qualidade sendo ainda mais rebaixada;
  • Em meio aos ajustes e necessidade de se disputar todas as competições previstas no bagunçado calendário brasileiro, um dia após a disputada da final do Paulista o Campeonato Brasileiro terá seu início.

Se durante um ano todo os clubes já reclamavam da sequência de jogos, imagine o que pode acontecer com tantas partidas espremidas no calendário brasileiro…

 

Minha Vintage Ale 055987

No mundo cervejeiro existem inúmeros rótulos e marcas se oferecendo para serem provados.

No entanto, algumas marcas ou estilos, dada a sua receita, estilo e tempo de produção chegam até as prateleiras com preços elevados, longe do poder aquisitivo de muitas pessoas.

Entre alguns desses casos, temos cervejas como a Deus, os estilos da Delirium e alguns da Fuller’s.

Um estilo em especial dessa cervejaria inglesa sempre me despertou desejo de provar: o Vintage Ale.

É um estilo comemorativo, cuja primeira produção foi realizada em 1997. Nele, são utilizadas as melhores matérias-primas, tendo a intenção de se fazer uma cerveja forte e refermentada na própria garrafa.

Conforme descrito pelo site Garota IPA Beer, essa cerveja possui “coloração acobreada e levemente turva. Todas as edições apresentam características em comum, como aroma de frutas maduras e notas que lembram bolo e geleia de laranja. Na boca, são adocicadas, licorosas e aveludadas. O envelhecimento tende a amaciar ainda mais a cerveja”.

Com tantas sensações para o paladar experimentar, fica fácil entender porquê uma única garrafa dessa cerveja é encontrada com um preço elevado, acima de R$ 150.

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Com esse valor, fica difícil para o apreciador de boas cervejas ter a oportunidade de provar essa iguaria.

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Porém, vez ou outra somos brindados com gratas e maravilhosas surpresas!

Encontrar no supermercado um exemplar dessa belezinha por menos de R$ 30 era bom demais para ser verdade.

No início, pensei que a etiqueta de preço estava errada. Fui conferir no terminal de consulta. Era aquele valor mesmo!

Não pensei duas vezes. Tratei de colocar no carrinho para garantir viver a experiência de provar uma Vintage Ale da Fuller’s.

Se já achava o preço uma pechincha, a coisa ficou ainda melhor ao passar no caixa. A promoção que eu tinha ativado no aplicativo do mercado também valia para aquela garrafa.

Conclusão: Daquele preço médio de R$ 150, desembolsei pouco menos de R$ 22.

Foi a cereja do bolo.

Pude matar a curiosidade e provar pela primeira vez essa receita da Fuller’s na última sexta-feira.

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Como esperado, esse estilo não deixou a desejar em nada, algo característico de todos os outros rótulos da cervejaria londrina.

Uma experiência pra lá de satisfatória, com todas as expectativas alcançadas com folga.

Ter acesso a tamanha qualidade pagando tão pouco é algo raro de acontecer.

Ter agora em meu currículo a “prova” dessa receita, com certeza é motivo de alegria e satisfação.

Espero que semelhante situação também ocorra com outros tantos estilos e marcas de cerveja que, por conta do elevado valor, afasta a possibilidade de podermos experimentá-los.

 

 

 

 

 

Ilustres desconhecidos protagonistas

O futebol vai muito além dos grandes clubes, dos charmosos campeonatos e seus famosos jogadores.

Não. Isso é apenas só a ponta de um gigantesco iceberg.

O glamour e a glória são experiências que uma margem mínima de times e atletas podem experimentar.

O submundo da bola, os campeonatos onde muitos buscam pela primeira oportunidade é uma realidade bastante distinta daquela que vem em nossa mente quando pensamos no jogo da bola chutada.

Porém, é nesse lado pouco divulgado e conhecido do grande público que estão as melhores e não contadas histórias.

Ontem, mais um marcante episódio foi escrito.

No badalado porém vazio estádio de Wembley aconteceu o jogo decisivo que definiria qual clube seria promovido da quarta para a terceira divisão inglesa.

Em campo, Exeter City e Northampton Town.

O City jamais esteve além da terceira divisão, enquanto o Town disputou somente uma vez a elite do futebol da Inglaterra, na longínqua temporada 1965/1966.

Mesmo distante de grandes torneios, esses clubes seguem com suas atividades, longe das atenções da grande mídia, glamour da TV e grandes patrocinadores.

O jogo de ontem, sem aparente apelo e importância para a maioria foi muito marcante, não apenas pela tranquila vitória do Northampton (4 a 0), mas também pela alegria, união e sentimento dever cumprido de seus jogadores.

Conseguir o acesso para uma terceira divisão pode ser encarado por muitos como algo pequeno, digno apenas de uma nota.

Não é verdade. A emoção de se conquistar uma vaga num jogo de play-off, no maior estadio do país é o sonho de todas essas valentes equipes inglesas.

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Missão cumprida para o Northampton, de volta à terceira divisão. Crédito: BBC

Da mesma forma, deixar a última vaga escorrer por seus dedos no último momento dói, às vezes até mais que um rebaixamento.

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A decepção do lado que esteve a uma vitória do acesso. Crédito: DevonLive

É dessa forma, com esses decisivos e emocionantes jogos que grande parte das divisões inferiores de vários países são marcadas e decididas.

Os holofotes podem nem sempre estar voltados para esses momentos, mas não se pode deixar de registrar que é na parte submersa daquela imenso iceberg que emocionantes capítulos do futebol também são escritos. Na maioria desses casos, por ilustres desconhecidos.

 

O tardio encontro de Premier League e Liverpool

Clique aqui, e então comece a leitura.

Enfim, a Premier League é do Liverpool! Sim, foi muito tempo de espera, um jejum injustificado diante da grandeza e importância da equipe no cenário do futebol inglês e, por quê não, mundial?

Trinta longos anos sem poder soltar o grito de campeão inglês.

Mesmo ganhando diversos outros campeonatos, incluindo duas Champions League, os Reds sempre almejaram conquistar a Premier League.

Na última vez que foram campeões (1989/1990), o campeonato inglês ainda era a Football League First Division.

A atual liga teve seu início em 1992/1993 e desde então o torneio tinha conhecido como campeões: Arsenal, Chelsea, Manchester United, Manchester City, Blackburn Rovers e Leicester.

O campeonato carecia de ter o Liverpool em seu rol de campeões.

Em algumas temporadas isso quase aconteceu, mas o destino acabou escrevendo tristes e sofridos finais para o clube e seus jogadores na busca pelo título que faltava.

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Um título que escapou pela falha de um ídolo. Crédito: Getty 

Títulos perdidos por detalhes, por uma bola que não entra ou um escorregão que colocou a perder todo o trabalho e empenho de uma temporada.

Porém, dessa vez, o time do fantástico e carismático Jürger Klopp não deu “sopa para o azar”, mesmo quando a pandemia parecia querer adiar o sonho um pouco mais.

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Klopp foi o responsável pelo ressurgimento do Liverpool entre os grandes

Não teve jeito! Uma campanha irretocável trouxe o esperado título com sete rodadas de antecedência.

O torcedor, que tanto sofreu e se viu ridicularizado por três décadas pôde enfim soltar o grito de campeão, exorcizando todos os fantasmas que os acompanharam durante todos esses anos.

Se a torcida, que sempre canta que o clube nunca caminhará sozinho, hoje se emociona em acompanhar sua equipe no ponto máximo da glória.

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A espera chegou ao fim…30 anos depois. Crédito: The Conversation

Se há no mundo um time merecedor de tal conquista, sem dúvida alguma, esse time é o Liverpool.

A maldição foi quebrada, a última peça para a sala de troféus do clube foi conquistada.

A Premier League é o Liverpool, e o futebol agradece!

Futebol, custe o que custar!

É incrível como os interesses comerciais e a ânsia pelo dinheiro prevaleça em nosso país.

Com o Brasil completamente perdido em meio à pandemia, o campeonato carioca decide retomar sua disputa.

Pouco importam as mortes, as orientações médicas e as tentativas de controle da doença. O importante é fazer a grana entrar para que os clubes consigam “se sustentar”.

O Flamengo, que nos últimos tempos tornou-se o Todo Poderoso, Senhor Absoluto do país é um dos principais incentivadores dessa volta.

Não é de se admirar, afinal, a visão sobre as cifras milionárias que o clube viu ir embora nos últimos tempos são muito mais importantes que a saúde e bem-estar de seus jogadores e torcedores.

O clube já vinha treinando há tempos, passando por cima das proibições impostas aos clubes sobre essa questão.

Voltar um campeonato enquanto se tem mais de mil mortes por dia é errado, ilógico e desumano.

Outras equipes em situação inferior ao chamado clube da “Nação” certamente entram em desvantagem nessa disputa.

Botafogo e Fluminense sempre foram contrários a esse retorno. Os clubes, inclusive, sequer retomaram seus treinos em campo e já têm agendadas as suas partidas.

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Não é momento para se pensar em voltar o futebol no Brasil. Créditos: UOL

Cada vez mais casos de atletas com a covid-19 vão surgindo, escancarando que esse não é motivo do futebol retornar.

Mas, se em nosso país o dinheiro, o lucro e os negócios valem do que vidas, infelizmente é compreensível que o futebol tenha sua volta imposta, custe o que ela custar.

Tomara que a situação do país e, em especial do Rio de Janeiro não piore ainda mais com esta decisão. Essa será a real torcida de todos aqueles que ainda colocam bem-estar das pessoas à frente de uma disputa de bola.

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Na Alemanha, o favorito é o visitante

Campeonato Francês: Conheça um pouco da história e seus campeões

O Campeonato Francês é a quinta principal liga da Europa. Disputada desde 1932, a atual Ligue 1 tem em sua história fatos marcantes e grandes jogadores, que ajudaram a escrever a história do campeonato.

Início

O campeonato nacional da França nasceu em 1930, sendo batizado como “National”. Apenas um ano após sua criação, o torneio passou a se chamar Division 1.

A data de criação do torneio marcou também o início da era profissional do futebol no país, sendo implantado e disputado de maneira oficial em 1932.

Os principais responsáveis pela criação do torneio foram Georges Bayrou, Emmanuel Gambardella e Gabriel Hanot, membros do Conselho Nacional da Federação Francesa de Futebol.

Tal como é atualmente, o campeonato foi composto por 20 clubes:

  • Club Français
  • Hyères Football Club
  • Olympique Lillois
  • Olympique de Marseille
  • FC Mulhouse
  • OGC Nice
  • SC Nîmes
  • RC Paris
  • Excelsior AC Roubaix
  • FC Sète
  • Olympique Alès
  • FC Antibes
  • AS Cannes
  • SC Fives
  • FC Metz
  • SO Montpellier
  • CA Paris
  • Red Star Olympique
  • Stade Rennais UC
  • FC Sochaux-Montbéliard

No entanto, o formato do torneio era outro. Divididos em dois grupos com dez equipes, os primeiros colocados de cada chave disputavam a decisão.

Logo em sua primeira edição o campeonato já teve polêmicas. O Antibes foi o primeiro colocado do Grupo B, tendo assim o direito de disputar a decisão.

No entanto, em meio a rumores e suspeitas de suborno, a equipe perdeu o direito de ir à decisão, com sua vaga ficando com a equipe do Cannes, segundo do grupo.

A primeira final, além do Cannes teve o Olympique Lillois, primeiro campeão francês da era profissional e que anos mais tarde viria a ser tornar o Lille.

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Lillois, o primeiro campeão francês. Créditos: Pari et Gagne

O campeonato viria ser disputado de forma consecutiva até a temporada 1938/1939.

Nesse período vários campeões foram conhecidos, sendo que somente o Sète conseguiu vencer o campeonato duas vezes.

Se vendo obrigado a paralisar sua disputa ao final por conta da Segunda Guerra Mundial, o torneio foi retomado na temporada 1945/1946.

Pós-guerra

Nas primeiras edições realizadas o campeonato via duas equipes se destacando e disputando o troféu de campeão nacional: Nice e Reims.

Ainda assim o campeonato se manteve em um nível equilibrado, conhecendo diferentes campeões ao final de cada temporada.

Início das dinastias

O torneio começou a ter uma equipe dominante somente a partir de 1966/1967, com o Saint-Étienne conquistando o título durante quatro temporadas consecutivas. O feito do clube viria a se repetir entre as temporadas 1973/1974 e 1975/1976.

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Equipe do Saint-Étienne da década de 1970. Créditos: O Futebólogo

Outra dinastia na competição teria o Olympique de Marseille como soberano entre 1988/1989 e 1992/1993.

Antes da hegemonia protagonizada atualmente pelo Paris Saint-Germain que nos últimos oito anos garantiu sete títulos, a França viu o Lyon, do brasileiro Juninho Pernambucano dominante por sete temporadas seguidas, período no qual conquistou todos os seus sete títulos (2001/2002 a 2007/2008).

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Base do Lyon, heptacampeão consecutivo. Créditos: Getty Images

Confira todos os campeões da França

1932–33               Olympique Lillois

1933–34               Sète

1934–35               Sochaux

1935–36               RC Paris

1936–37               Marseille

1937–38               Sochaux

1938–39               Sète

1939–45               Suspenso por conta da Segunda Guerra Mundial

1945–46               Lille

1946–47               Roubaix–Tourcoing

1947–48               Marseille

1948–49               Reims

1949–50               Bordeaux

1950–51               Nice

1951–52               Nice

1952–53               Reims

1953–54               Lille

1954–55               Reims

1955–56               Nice

1956–57               Saint-Étienne

1957–58               Reims

1958–59               Nice

1959–60               Reims

1960–61               Monaco

1961–62               Reims

1962–63               Monaco

1963–64               Saint-Étienne

1964–65               Nantes

1965–66               Nantes

1966–67               Saint-Étienne

1967–68               Saint-Étienne

1968–69               Saint-Étienne

1969–70               Saint-Étienne

1970–71               Marseille

1971–72               Marseille

1972–73               Nantes

1973–74               Saint-Étienne

1974–75               Saint-Étienne

1975–76               Saint-Étienne

1976–77               Nantes

1977–78               Monaco

1978–79               Strasbourg

1979–80               Nantes

1980–81               Saint-Étienne

1981–82               Monaco

1982–83               Nantes

1983–84               Bordeaux

1984–85               Bordeaux

1985–86               Paris Saint-Germain

1986–87               Bordeaux

1987–88               Monaco

1988–89               Marseille

1989–90               Marseille

1990–91               Marseille

1991–92               Marseille

1992–93               Sem campeão (título do Marseille foi cancelado após caso de suborno)

1993–94               Paris Saint-Germain

1994–95               Nantes

1995–96               Auxerre

1996–97               Monaco

1997–98               Lens

1998–99               Bordeaux

1999–2000          Monaco

2000–01               Nantes

2001–02               Lyon

2002–03               Lyon

2003–04               Lyon

2004–05               Lyon

2005–06               Lyon

2006–07               Lyon

2007–08               Lyon

2008–09               Bordeaux

2009–10               Marseille

2010–11               Lille

2011–12               Montpellier

2012–13               Paris Saint-Germain

2013–14               Paris Saint-Germain

2014–15               Paris Saint-Germain

2015–16               Paris Saint-Germain

2016–17               Monaco

2017–18               Paris Saint-Germain

2018–19               Paris Saint-Germain

2019–20               Paris Saint-Germain

Títulos por clube (Era Profissional)

Saint-Étienne – 10 títulos

Marselha – 9 títulos

Paris Saint-Germain – 9  títulos

Monaco – 8 títulos

Nantes – 8 títulos

Lyon – 7 títulos

Bordeaux – 6 títulos

Reims – 6 títulos

Nice – 4 títulos

Lille – 3 títulos

Sochaux – 2 títulos

Sète – 2 títulos

Lens – 1 título

RC Paris – 1 título

Strasbourg – 1 título

Olympique Lillois – 1 título

Roubaix-Tourcoing – 1 título

Auxerre – 1 título

Montpellier – 1 título

Jogadores com mais partidas no Campeonato Francês

1º – Mickaël Landreau, atuando entre 1997 e 2014, defendendo Nantes, PSG, Lille e Bastia: 618 jogos;

2º – Jean-Luc Ettori, atuando entre 1975 e 1994, defendendo o Monaco: 602 jogos;

3º – Dominique Dropsy, atuando entre 1971 e 1989, defendendo Valenciennes, Strasbourg e Bordeaux: 596 jogos.

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O recordista, Landreau. Créditos: Ligue 1

Maiores artilheiros do Campeonato Francês

1º – Delio Onnis, atuando entre 1972 e 1986, defendendo Monaco, Reims, Tours e Toulon: 299 gols;

2º – Bernard Lacombe, atuando entre 1969 e 1987, defendendo Lyon, Saint-Étienne e Bordeaux: 255 gols;

3º – Hervé Revelli, atuando entre 1965 e 1978, defendendo Saint-Étienne e Nice: 216 gols.

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O artilheiro Delio Onnis. Créditos: Digitalsport

Curiosidades

  • Desde sua criação, 73 clubes já participaram do Campeonato Francês, sendo o Olympique de Marseille o recordista em participações: 70 edições.
  • O Marseille também é o único clube da França que conseguiu conquistar a Copa da Europa, atual Liga dos Campeões. A equipe ficou com o título na temporada 1992/1993 após vencer o Milan na decisão.
  • A maior vitória de uma equipe mandante aconteceu na temporada 1935/1936, com o Sochaux atropelando o Valenciennes por 12 a 1.
  • O PSG é o clube há mais tempo na primeira divisão de forma consecutiva: 46 temporadas.
  • O maior público já registrado no campeonato foi durante a temporada 2008/2009 com 78.056 torcedores presentes no Stade de France para acompanhar ao duelo entre Lille e Lyon.

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Na Alemanha, o favorito é o visitante

O retorno do futebol na Europa tem deixado evidente uma nova realidade: o time mandante de uma partida já não é o favorito.

O Campeonato Alemão, primeiro torneio a retornar entres as grandes ligas da Europa é a maior prova desse fato.

Desde a sua volta, em 16 de maio, seis rodadas da Bundesliga foram disputas. Com isso, tem-se a realização de 54 jogos.

Destes, o clube visitante saiu com a vitória em 27 oportunidades, correspondendo exatamente a 50% das partidas.

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Ausência da torcida local se tornou grande aliada dos clubes visitantes na Alemanha. Crédito: Marca

Em 16 jogos os encontros terminaram empatados (29,63%) e somente em 11 jogos é que o time da casa saiu com a vitória. Ou seja, o então favorito na disputa das partidas possui um rendimento de apenas 20,37% quando joga em seus domínios .

Com isso, o “novo normal” do mundo do futebol tem se mostrado bem diferente daquele conhecido pelos torcedores.

Sem dúvidas, a ausência da torcida nos estádios interfere diretamente no desempenho do clube dentro de seu estádio.

Jogar em casa agora se tornou um problema ao clube mandante. O estádio do adversário virou o novo “point” para o visitante acumular suas vitórias.

O início do futebol pós-pandemia mostra que a presença, o apoio e a pressão da torcida do clube local durante os 90 minutos tem uma imensa importância na busca da equipe pelos três pontos.

Se a situação continuar assim, provavelmente os clubes queiram futuramente realizar suas partidas em algum campo neutro.

Somente com a volta da torcida aos estádios é que as equipes terão também a volta do favoritismo que até então detinham ao atuar em seus domínios. Aposto que os clubes não vêem a hora.

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Grandes clássicos do futebol mundial – Escócia

O futebol escocês não é conhecido por sua plasticidade, belas jogadas e talentosos jogadores.

Com um jogo mais físico, característico pelas inúmeras bolas aéreas o esporte no país traz consigo a essência do futebol praticado no final do século XIX.

Em meio a essa cenário distante do “futebol arte”, na cidade de Glasgow reside a rivalidade entre Celtic e Rangers, principais clubes do país e que há mais de 130 anos se enfrentam. Conheça o Old Firm.

Origens

Fundado em 1º de fevereiro de 1872 pelos irmãos Moses e Peter McNeil, e Peter Campbell e William McBeath, o Rangers é membro do grupo dos onze clubes que ajudaram a fundar a Associação Escocesa de futebol (1873), a segunda mais antiga do mundo, perdendo apenas para a Inglesa.

rangers

 

Do outro lado está o Celtic. Fundado em 1888 por Walfrid Kerins, o clube foi criado inicialmente como projeto de caridade visando aliviar a pobreza que existia na região leste da cidade de Glasgow.

Celtic_FC_logo

 

No entanto, as diferenças entre as equipes se estendem para outras questões.

RELIGIÃO

Um dos pontos que marca a rivalidade entre esses clubes é uma questão presente em várias das rivalidades entre clubes: a religião.

O Rangers é conhecido por ser um clube cuja maior parte de sua torcida tem para si a religião protestante.

Já o seu rival, tem uma sólida base de fãs que adotam a religião católica.

Um estudo realizado na cidade de Glasgow apontou que 65% dos torcedores do Rangers se identificam com o protestantismo, enquanto apenas 2% se declarou católico.

Ouvidos os torcedores do Celtic, 74% diz se identificar como católicos enquanto 10% se diz protestante.

Inicialmente, a divisão religiosa não se limitava somente às arquibancadas. Durante vários anos somente jogadores católicos eram aceitos no Celtic, assim como o Rangers somente possuía em seu elenco atletas protestantes.

Essa barreira durou até o ano de 1989, quando o Rangers anunciou a contratação de Maurice Thomas Johnson, católico e ex-jogador do Celtic.

POLÍTICA

Outro fator que eleva ainda mais os ânimos do Old Firm é a política.

Os torcedores do Celtic têm ideais socialistas e separatistas, defendendo a saída da Escócia do Reino Unido, Com isso, sua torcida também é reforçada pelo apoio de torcedores irlandeses. A casa da equipe, o Celtic Park, inclusive é decorada com as bandeiras do país vizinho durante os jogos.

“Eles penduraram a bandeira de guerra” – Crédito: Goal

Na contramão, os que torcem pelo Rangers seguem uma visão política conservadora e nacionalista, defendendo a permanência do país no Estado britânico. A exemplo de seu rival, os torcedores levam até o Ibrox Stadium bandeiras do Reino Unido e também da Irlanda do Norte.

Créditos: Football Scotland

TÍTULOS

Como esperado, os clubes são os maiores campeões nacionais.

O Rangers tem o maior número de títulos, já tendo se sagrado campeão nacional 54 vezes. Além disso, o clube ainda é dono de 33 taças da Copa da Escócia além de 27 títulos da Copa da Liga Escocesa.

Já no cenário continental, o clube venceu a extinta UEFA Cup Winners’ Cup na temporada 1971/1972, derrotando o Dynamo Moscow.

Créditos: The Guardian

O Celtic, apesar de amplo domínio nas últimas temporadas, ainda está atrás de seu rival nos campeonatos nacionais. Até o momento, o clube reúne 51 títulos do Campeonato Escocês. A equipe também soma 39 títulos de Copas da Escócia e 19 conquistas de Copas da Liga Escocesa.

No entanto, a equipe de Glasgow atingiu um feito maior do aquele de seu rival no âmbito continental. Na temporada 1966/1967, o Celtic sagrou-se campeão da Copa Europeia, atual UEFA Champions League vencendo a Internazionale de Milão na final do torneio.

Créditos: Betfair Betting

CONFRONTOS

Em mais de 130 anos de rivalidade, são 420 partidas realizadas somando todas as competições oficiais.

O Rangers leva vantagem no confronto, tendo saído vencedor do campo em 162 oportunidades, contra 159 do Celtic. Além disso foram 99 empates.

Créditos: The Herald

As maiores vitórias do Rangers sobre seu maior rival aconteceram ainda no século retrasado, quando em 2 de setembro de 1893 e em 1º de janeiro de 1894 a equipe goleou o Celtic por 5 a 0

Crédtios: Paddy Power News

Pelo lado do Celtic, a maior vitória foi por um placar mais elástico. Em 19 de outubro de 1957, a equipe massacrou o Rangers por 7 a 1 em partida válida pela Copa da Liga.

Sem dúvidas, com tantos ingredientes para enriquecer tamanha história, o Old Firm, sem dúvidas, deve ser considerado como um dos maiores clássicos do futebol mundial.