Campeonato Alemão: Conheça um pouco sobre o torneio e seus campeões

A liga alemã é uma das cinco maiores da Europa. Os clubes que disputam as primeiras posições da atual Bundesliga, grande parte das vezes, também alcançam o sucesso no cenário continental.

Início

O Campeonato Alemão teve a sua primeira edição em 1903 e suas edições possuíram diversos campeões nos anos que antecederam a atual Bundesliga.

Somente em duas oportunidades o campeonato não foi disputado: Entre 1915 a 1919 (Período da Primeira Guerra Mundial), nos anos pós-Segunda Guerra (1945 a 1947).

Curiosamente país não interrompeu sua liga nacional durante o período da Segunda Guerra Mundial, tendo inclusive criado um campeonato durante seu período nazista.

Curiosidades

  • Em 1904, o campeonato terminou sem um campeão declarado pois a partida entres os finalistas VfB Leipzig e Britannia Berlin não foi realizada por conta de protestos do Kalrsruher FV, que alegou descumprimento do regulamento uma vez que a partida contra o Britannia, em que perdeu por 6 a 1 e ocorreu em Berlim, não foi realizada em campo neutro.
  • Durante a edição de 1922. A decisão entre Hamburgo e Nuremberg teve de ser interrompida por falta de iluminação quando o confronto estava empatado em 2 a 2. Com uma nova data marcada, somente nove jogadores do Nuremberg puderam comparecer ao jogo. Com a partida empatada em 1 a 1, a equipe ficou sem dois jogadores. Foi realizada uma reunião entre membros da federação alemã onde ficou decidido com o título seria do Hamburgo, o que gerou protestos por parte da equipe rival.

Diante disso, o Hamburgo decidiu abdicar do título daquele campeonato, o que foi acatado pela federação. Com isso, 1922 não tem um campeão declarado.

  • Entre 1934 e 1944 foi criada a Gauliga, competição organizada pela Alemanha nazista. Foi também durante esse campeonato que, em 1938 as equipes da Áustria passaram a disputar a Gauliga após o território austríaco ser anexado à alemão.
  • A partir de 1948 o campeonato passou a se chamar Oberliga, e reunia apenas clubes da Alemanha Ocidental.

Os campeões nacionais na era pré-Bundesliga foram:

1903 – VfB Leipzig

1904 – Não houve campeão

1905 – Union Berlin

1906 – VfB Leipzig

1907 – Freiburg

1908 – Viktoria Berlin

1909 – Phönix Karlsruher

1910 – Karlsruher

1911 – Viktoria Berlin

1912 – Holstein Kiel

1913 – VfB Leipzig

1914 – Greuther Fürth

1915 – Não houve campeonato

1916 – Não houve campeonato

1917 – Não houve campeonato

1918 – Não houve campeonato

1919 – Não houve campeonato

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VfB Leipzig – O primeiro campeão da Alemanha

1920 – Nuremberg

1921 – Nuremberg

1922 – Hamburgo (depois renunciou ao título)

1923 – Hamburgo

1924 – Nuremberg

1925 – Nuremberg

1926 – Greuther Fürth

1927 – Nuremberg

1928 – Hamburgo

1929 – Greuther Fürth

1930 – Hertha Berlim

1931 – Hertha Berlim

1932 – Bayern de Munique

1933 – Fortuna Düsseldorf

1934 – Schalke

1935 – Schalke

1936 – Nuremberg

1937 – Schalke

1938 – Hannover

1939 – Schalke

1940 – Schalke

1941 – Rapid Viena (Áustria)

1942 – Schalke

1943 – Dresdner

1944 – Dresdner

1945 – Não houve campeonato

1946 – Não houve campeonato

1947 – Não houve campeonato

1948 – Nuremberg

1949 – Mannheim

1950 – Stuttgart

1951 – Kaiserslautern

1952 – Stuttgart

1953 – Kaiserslautern

1954 – Hannover

1955 – Rot-Weiss Essen

1956 – Borussia Dortmund

1957 – Borussia Dortmund

1958 – Schalke

1959 – Eintracht Frankfurt

1960 – Hamburgo

1961 – Nuremberg

1962 – Colônia

1963 – Borussia Dortmund

Bundesliga: A era moderna do futebol alemão

O campeonato alemão em sua forma atual foi criada a partir da temporada 1963/1964.

Participaram de sua criação os seguintes clubes: Eintracht Braunschweig, Werder Bremen, Hamburger SV, Borussia Dortmund, FC Köln, Duisburg, Preußen Münster, FC Schalke 04, FC Kaiserslautern, FC Saarbrücken, Eintracht Frankfurt, Karlsruher SC, FC Nürnberg, TSV 1860 Munique, VfB Stuttgart ,Hertha BSC.

O primeiro campeão da competição foi o Köln, seguido do Duisburg.

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FC Köln – Campeão da primeira edição da Bundesliga

O Bayern de Munique, atual soberano da competição somente estreou na Bundesliga em 1965, ocasião em que possuía apenas um título nacional.

No entanto, a partir de seu primeiro título de Bundesliga, a equipe de Munique passou a ter amplo domínio no país.

Excetuando-se curtos períodos em que surgiam equipes capazes de rivalizar como o Borussia Mönchengladbach, Borussia Dortmund, a equipe da Baviera tem reinado de forma absoluta.

Desde 1964, em 55 edições disputadas, o Bayern é o líder disparado em conquistas, vencendo o torneio em 28 oportunidades.

FBL-GER-BUNDESLIGA-BAYERN MUNICH-FRANKFURT
Já é rotina ver o Bayern vencer na Alemanha

Os segundos colocados com mais títulos são exatamente o Dortmund e o Gladbach, com cinco títulos cada.

Confira todos os campeões da Bundesliga:

2018/2019 – Bayern de Munique (vice: Borussia Dortmund)

2017/2018 – Bayern de Munique (vice: Schalke)

2016/2017 – Bayern de Munique (vice: RB Leipzig)

2015/2016 – Bayern de Munique (vice: Borussia Dortmund)

2014/2015 – Bayern de Munique (vice: Wolfsburg)

2013/2014 – Bayern de Munique (vice: Borussia Dortmund)

2012/2013 – Bayern de Munique (vice: Borussia Dortmund)

2011/2012 – Borussia Dortmund (vice: Bayern de Munique)

2010/2011 – Borussia Dortmund (vice: Bayer Leverkusen)

2009/2010 – Bayern de Munique (vice: Schalke)

2008/2009 – Wolfsburg (vice: Bayern de Munique)

2007/2008 – Bayern de Munique (vice: Werder Bremen)

2006/2007 – Stuttgart (vice: Schalke)

2005/2006 – Bayern de Munique (vice: Werder Bremen)

2004/2005 – Bayern de Munique (vice: Schalke)

2003/2004 – Werder Bremen (vice: Bayern de Munique)

2002/2003 – Bayern de Munique (vice: Stuttgart)

2001/2002 – Borussia Dortmund (vice: Bayer Leverkusen)

2000/2001 – Bayern de Munique (vice: Schalke)

1999/2000 – Bayern de Munique (vice: Bayer Leverkusen)

1998/1999 – Bayern de Munique (vice: Bayer Leverkusen)

1997/1998 – Kaiserslautern (vice: Bayern de Munique)

1996/1997 – Bayern de Munique (vice: Bayer Leverkusen)

1995/1996 – Borussia Dortmund (vice: Bayern de Munique)

1994/1995 – Borussia Dortmund (vice: Werder Bremen)

1993/1994 – Bayern de Munique (vice: Kaiserslautern)

1992/1993 – Werder Bremen (vice: Bayern de Munique)

1991/1992 – Stuttgart (vice: Borussia Dortmund)

1990/1991 – Kaiserslautern (vice: Bayern de Munique)

1989/1990 – Bayern de Munique (vice: Colônia)

1988/1989 – Bayern de Munique (vice: Colônia)

1987/1988 – Werder Bremen (vice: Bayern de Munique)

1986/1987 – Bayern de Munique (vice: Hamburgo)

1985/1986 – Bayern de Munique (vice: Werder Bremen)

1984/1985 – Bayern de Munique (vice: Werder Bremen)

1983/1984 – Stuttgart (vice: Hamburgo)

1982/1983 – Hamburgo (vice: Werder Bremen)

1981/1982 – Hamburgo (vice: Colônia)

1980/1981 – Bayern de Munique (vice: Hamburgo)

1979/1980 – Bayern de Munique (vice: Hamburgo)

1978/1979 – Hamburgo (vice: Stuttgart)

1977/1978 – Colônia (vice: Borussia M’gladbach)

1976/1977 – Borussia M’gladbach (vice: Schalke)

1975/1976 – Borussia M’gladbach (vice: Hamburgo)

1974/1975 – Borussia M’gladbach (vice: Hertha Berlim)

1973/1974 – Bayern de Munique (vice: Borussia M’gladbach)

1972/1973 – Bayern de Munique (vice: Colônia)

1971/1972 – Bayern de Munique (vice: Schalke)

1970/1971 – Borussia M’gladbach (vice: Bayern de Munique)

1969/1970 – Borussia M’gladbach (vice: Bayern de Munique)

1968/1969 – Bayern de Munique (vice: Alemannia Aachen)

1967/1968 – Nuremberg (vice: Werder Bremen)

1966/1967 – Eintracht Braunschweig (vice: Munique 1860)

1965/1966 – Munique 1860 (vice: Borussia Dortmund)

1964/1965 – Werder Bremen (vice: Colônia)

1963/1964 – Colônia (vice: Duisburg)

Jogadores com mais partidas disputadas na Bundesliga:

1º) Karl-Heinz Körbel, atuando entre 1972–1991 defendendo o Eintracht Frankfurt:  602 jogos

2º) Manfred Kaltz, atuando entre 1971–1991, defendendo o Hamburgo: 581 jogos

3º) Oliver Kahn, atuando entre 1987–2008, defendendo Karlsruher e Bayern München: 557 jogos

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19 temporadas e 602 jogos por um único clube –  Karl-Heinz Körbel é uma referência para o Frankfurt e seus torcedores

Maiores artilheiros da história da Bundesliga:

1º) Gerd Müller – Atuou entre 1965–1979 pelo Bayern München: 365 gols

2º) Klaus Fischer – Atuou entre 1968–1988 por Munique 1860, Schalke 04, 1. FC Köln, VfL Bochum: 268 gols

3º) Robert Lewandowski – em atividade, atuou por Borussia Dortmund e está no Bayern München: 221 gols

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Gerd Müller – O maior artilheiro da Bundesliga

Curiosidades:

  • O Borussia Dortmund possui a maior média de público das últimas onze temporadas do campeonato;
  • borussia dortmund
    Torcida do Borussia Dortmund e sua famosa “Muralha Amarela”
  • Entre 1997 e 2002, o Bayer Leverkusen acumulou quatro vice-campeonatos. A equipe mantida pela empresa farmacêutica também foi o primeiro clube a chegar a uma final de Liga dos Campeões sem nunca ter sido campeão nacional;
  • “Meisterschale”, é a salva de prata levantada pelo clube campeão da Bundesliga;
  • salva de prata
    O prêmio que é dado ao Campeão da Bundesliga

 

O tetra que me lembro

Em tempos de pandemia, várias foram as atividades afetadas pelos efeitos do coronavírus.

No âmbito esportivo, com a paralisação das competições, a TV tem se valido da reexibição de eventos passados, trazendo nostalgia àqueles que os assistem.

Neste domingo (26), será a vez da Globo exibir novamente a conquista do tetra mundial do Brasil na Copa do Mundo de 1994, realizada nos Estados Unidos.

Em eventos e datas marcantes como essa, sempre temos a lembrança de onde estávamos e o quê fazíamos.

A conquista do Tetra não foi diferente para mim.

Mesmo no auge dos meus cinco para seis anos, algumas lembranças ficaram registradas em minha mente.

Lembro de estar na casa da minha avó materna, uma linda e saudosa referência que me fez gostar e acompanhar esportes, principalmente o futebol.

Em sua sala estavam reunidos meus tios e primos. Todos à frente da velha TV de tubo na estante marrom, que, de tempos em tempos, precisava ter a sua sintonia ajustada manualmente.

Eu, pequeno e sem entender ao certo o que estava acontecendo, percebia a aflição dos presentes naquele evento com o início da cobrança das penalidades.

A cada gol brasileiro marcado, euforia na sala. A cada conversão do time de azul, lamentações.

Mas, quando o rapaz do cabelo com “rabinho” mandou a bola por cima do gol, eu também fui para o alto, sendo jogado por algum tio que a memória não me ajuda a identificar.

Foi uma grande festa, todos gritavam as mesmas palavras que o Galvão Bueno eternizou na transmissão ao ponto de virar meme.

“É tetra, é tetra, é tetraaaaaa!”

Quatro anos mais tarde, tendo uma melhor compreensão do que aquele evento significava, acompanhei a Copa seguinte com mais consciência, mas com o mesmo entusiasmo que senti naquela tarde de julho de 1994 lá na casa do Bairro.

Lugar onde a centelha da paixão pelo esporte foi acesa e atualmente me move para acompanhar, escrever e assistir tudo relacionado a essa maravilhosa criação do homem.

E você, se lembra onde estava nesta data tão marcante?

 

Minha nada óbvia escolha

Como explicar nossas escolhas, que por muitas vezes passam distante daquelas óbvias?

Quem me conhece sabe bem o quanto, em alguns momentos, acabo contrariando a lógica fazendo o inesperado.

Vários aspectos da minha vida seguem esse “não padrão”, sejam as opções para lazer, a música para ouvir, a cerveja para tomar e também, o time para torcer.

Nesse estranho mundo à ótica dos outros, várias foram as vezes em que causei surpresa ao responder àquela pergunta tão presente nos diálogos iniciais de quem está se conhecendo.

“Gosta de futebol? Pra qual time você torce?”

Vezes por gozação, outras com admiração, a surpresa ao ouvir “Portuguesa” é sempre presente.

Escolher uma equipe sem muito apelo, torcida e títulos de longe passa da obviedade. Se acostumar a lidar com as derrotas e saborear cada vitória como uma grande conquista são fatos para os quais já estou habituado.

No entanto, vez e outra tenho que tentar explicar o “porquê” dessa escolha.

Tive a oportunidade de ler o livro escrito pelo Leandro Vignoli, “À sombra de gigantes”, onde o autor, viajando por vários países, conseguiu captar a essência de pequenas equipes e, principalmente, de seus torcedores.

O futebol vai muito além de títulos, dinheiro e um estádio moderno com vários fãs e turistas.

Torcer pelo mais fraco, tendo consciência da remota chance de gritar “É CAMPEÃO” é um requisito básico se começar.

“Nós não ganhamos sempre. Mas quando ganhamos, é sempre especial”. Keith Mcalllister, torcedor do Queen’s Park.

A afinidade com um clube, muitas vezes é passada de geração em geração. Não foi o meu caso. Sou o primeiro da família a bandear para o lado lusitano. Uma escolha sem nenhum motivo aparente, apenas a identificação com a equipe e seus torcedores, que enxergam o futebol como algo além de uma competição esportiva, sendo mais como um ritual onde poucos têm o privilégio de serem chamados a viver junto ao clube.

“A atmosfera do nosso estádio é o que mais conta. Não nos sentimos como um cliente, mas parte de uma grande família”. Juliane, torcedora do Union Berlin.

Não morar em São Paulo torna ainda mais difícil me manter por dentro do que acontece no cotidiano do clube. Mais difícil ainda é conseguir assistir aos jogos no Canindé.

Assim, a cada oportunidade que tenho de acompanhar uma partida in loco, a emoção e satisfação é sempre igual aquela da primeira vez.

Ganhar ou perder faz parte do jogo. No nosso caso, a segunda possibilidade é que mais está presente nos últimos anos. Isso faz com que cada vitória seja saboreada ao máximo; sabemos desfrutá-las.

“Se eu fosse passar mal por toda vez que meu time não ganhar, eu já estaria morto”. Sergio Candel, torcedor do Rayo Vallecano.

Prefiro torcer por um clube sem uma grande, porém fiel torcida. Não me agrada o clima de show ou megaevento que outras equipes criam para seus jogos.

Sentar naquela arquibancada de cimento, poder andar por ela com a bola rolando, conversar e conhecer histórias de outros “sofredores” como eu vale mais que um ingresso para uma área VIP ou camarote em um Santiago Bernabéu ou Camp Nou.

“Nos importamos com futebol. Mas não é tudo. Talvez seja a nossa grande diferença: a de que vencer a qualquer custo não é o mais importante”. Georg, torcedor do St. Pauli.

Torcer pela Portuguesa, deixando de lado o “Trio de Ferro” nos faz especiais. Somos privilegiados de poder vibrar por um clube que parece ter nos escolhido a dedo para compor sua torcida.

Estar ao lado daquele que vence sempre é muito cômodo, lógico e até mesmo insípido. Não há emoção na obviedade.

“É fácil escolher o outro time nesta cidade. Então sentimos que torcer pelo Torino é, na verdade, ser um escolhido”. Gian Paolo Casana, torcedor do Torino.

Escolher um clube com poucos títulos, pouca torcida e atualmente sem divisão para jogar no futebol nacional é apenas mais um detalhe entre as inesperadas e incompreendidas decisões que tomei na minha nada óbvia vida.

Afinal de contas, o que está acontecendo com o “rock”?

O universo musical nos concede a maior vastidão de sons, gêneros e experiências.

Entre tantas opções, o universo do mundo do rock foi o que escolhi viver.

Viajando entre gravações das décadas de 1960 até a quase findada década de 2010 conheci várias bandas, cantores e estilos.

No entanto, o que percebi nos últimos tempos foi uma brusca mudança na “pegada” de bandas que, até pouco tempo, eram vistas como revelação e até mesmo, a “salvação” do rock.

Os novos trabalhos lançados por algumas bandas passam longe daquele que conheci e acostumei a ouvir no passado.

A diferença no som de alguma delas as afasta de qualquer mínima característica do gênero.

O incremento de batidas eletrônicas, recursos na voz e a ausência de atitude e peso no som, algo bastante presente no universo do rock conduz algumas bandas para bem longe de suas origens e preferência de vários fãs.

Apenas como exemplo, comparar o trabalho de Green Day que estamos acostumados, com o álbum lançado recentemente, percebemos quão gritante é a mudança em sua música, semelhante a algo saído de uma linha de produção onde uma música parece variação de outra.

Outros exemplos que se pode perceber tamanha diferença em suas músicas são Kings Of Leon, Strokes, entre tantos outros.

Com o passar dos anos essas bandas foram perdendo o pouco peso e a qualidade que tinham ao compor suas canções.

O rock feito nos dias atuais é inofensivo. Não se sente ou ouve nada que nos remeta a uma música de rock. Hoje, não usem esse gênero para classificar as músicas feitas atualmente.

Uma prova disso é Believer, do Imagine Dragons que foi considerada pela Billboard a melhor música de rock da década.

Se isso for considerado rock, melhor procurar um novo universo em que eu possa viver ou uma máquina do tempo que me leve aos tempos em que essa palavra realmente significava algo.

Futebol, rock’n roll e respeito às diferenças – Conheça o St. Pauli

O torcedor de um clube de futebol geralmente sonha em ver sua equipe disputando os principais campeonatos pelo mundo, conquistando títulos e ter os melhores jogadores vestindo as cores de sua equipe.

Para os torcedores do St. Pauli, isso passa bem longe. Para os fanáticos desse pequeno clube da cidade Hamburgo, o mais importante é manter vivo os seus ideais e a mística que cerca essa peculiar equipe.

Fundado em 1910 no bairro de Sankt Pauli, o clube homônimo é mais conhecido por seus feitos fora de campo, com seu poder de estar um passo à frente em relação aos demais.

O clube tem uma cultura de esquerda entre a maioria de seus torcedores.  Aliado a isso, é comum ver em partidas da equipe bandeiras com o rosto de Che Guevara, além de manifestações contra o fascismo, o racismo e machismo.

Outro fato interessante na agremiação é que ela foi a primeira ter em seu cargo máximo um presidente homossexual assumido. Corny Littman ocupou o cargo entre 2002 e 2010.

Na arquibancadas do acanhado, mas moderno Millerntor-Stadion se vê, além dos torcedores tradicionais, “gente como a gente”, pessoas com um visual punk, rockeiros, com suas tatuagens, piercings e alargadores, trazendo consigo, além das cores e escudo do time, a famosa bandeira com a caveira pirata, um símbolo não oficial do time.

st pauli millerntor

A pegada rock’n roll se estende aos gramados.

A trilha sonora da entrada do time em campo, nada menos que Hells Bells, do AC/DC:

Em cada gol marcado pela equipe, outro clássico ecoa no estádio: Song 2, do Blur:

Ainda que nas quatro linhas as conquistas passem longe, fora de campo, clube e torcida podem ser celebrados como se campeões fossem.

st. pauli fans

O Sankt Pauli é a favor da vinda de refugiados, dando ajuda e abrigo.

Outro fato que atrai a atenção é o olhar que a instituição tem com as minorias.

A Fanladen do St. Pauli é uma espécie associação que serve o torcedor e que é independente do clube, mesmo funcionando nas dependências do estádio.

Fanladen st. pauli

Essa instituição é a responsável por organizar as excursões para os jogos fora de casa, dá assistência aos torcedores visitantes, resolve qualquer divergência que envolva a torcida e/ou a comunidade do bairro.

A Fanladen ainda funciona como centro de acolhimento e assistência para as crianças, sendo que muitas aparecem para utilizar as instalações do clube após a escola, com seus funcionários dando o apoio estrutural e até psicológico necessário.

Esse braço não oficial do clube ainda organiza eventos de solidariedade, de apoio às causas libertárias, torneios de futebol para mulheres, além de juntar doações para grupos de refugiados dentro e fora de Hamburgo, apoiando exposições sobre a história do Holocausto.

Visando a proteção à mulher, já organizou cursos de autodefesa para mulheres para a sua torcida e comunidade como forma de combater o machismo e o sexismo, outras bandeiras levantadas com orgulho e vigor pelo clube.

Outro feito que chama a atenção foi a criação de uma Copa do Mundo da FIFI em 2006 e que contou apenas com a presença de países sem representação na FIFA.

Com um conceito e história tão ricos arraigados em sua torcida, pouco importa se o time disputa a elite contra um Bayern de Munique ou está jogando a terceira divisão contra uma equipe qualquer. No St. Pauli, a transmissão desses valores é verdadeiro motivo de luta e orgulho.

O futebol em todo esse contexto, é apenas um dos outros tantos ingredientes que fazem a equipe de Hamburgo ser tão admirada, tanto dentro como fora da Alemanha.

Se quiser conhecer um pouco mais de tudo o que cerca o St. Pauli, leia o relato feito por Thales Machado para o Puntero Izquierdo.

Um doloroso alívio

A carreira de Daniele De Rossi parece ter chegado ao seu fim.

Isso acontece poucos meses após a chocante e triste notícia da não renovação de seu contrato junto à Roma por parte da atual da direção do clube.

Tal fato desagradou grande parte dos romanistas pelo mundo, que em pouco tempo viu o clube pondo fim à carreira dois de seus maiores ídolos.

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Após assistirem de forma a comovente e dolorosa despedida de Francesco Totti, os torcedores viram ao final dessa temporada o adeus de outro estandarte do clube.

No entanto, a despedida que os giallorossi presenciaram em maio não era o adeus de De Rossi para o futebol, mas sim o final de sua marcante passagem de 18 anos pelo clube que torce.

O fato de Daniele ainda desejar jogar profissionalmente era algo difícil de aceitar.

Ver um dos símbolos da Roma vestindo a camisa de qualquer outra equipe jamais seria vista como algo “normal” para os romanistas.

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Interessados em contar com o experiente volante não faltaram. Propostas vieram do futebol sul-americano, da liga dos Estados Unidos, além de clubes da própria Bota.

No entanto, quis o tempo e o destino que Daniele repensasse sua decisão de continuar sua carreira como jogador.

Ainda não é claro se foi por falta de propostas de seu contento, a falta de condições de seguir jogando ou até mesmo o fato de colocar uma camisa diferente daquela que sempre vestiu.

Sua saída dos campos acaba sendo uma nova decisão que pegou de surpresa o mundo da bola.

A impressão que fica é que Daniele não teve o reconhecimento devido, tampouco as homenagens que é merecedor.

Repensar a decisão de continuar atuando por outro clube para agora decidir se aposentar pode ter sido difícil.

Já para os romanistas, fica aquele alívio, soando até um pouco egoísta. Afinal, se não foi com Totti, também não será com De Rossi que veremos uma das bandeiras da equipe da Roma vestindo as cores de outra equipe.

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Melhor ainda, não seremos obrigados a ver nenhum deles em campo contra o clube que os revelou e que do qual são torcedores.

 

Jornalismo de VARzea

O Brasil merece estar na lamentável situação dos dias atuais.

A moralidade questionável que vemos nos planos da política e economia de nosso país parece que chegado aos campos de futebol.

Sim, o futebol – aquele que sempre serviu como distração e diversão do povo.

Por muito tempo pairou sobre esse esporte a mística das polêmicas e das injustiças que as partidas produziam.

Durante décadas, diversas foram as reclamações, choros e reivindicações por melhoras no jogo. A principal delas, a grande vilã de times e torcedores era a arbitragem.

Inúmeros foram os erros cometidos em lances capitais de grandes jogos e decisões.

Campeões foram alterados, rebaixados acabaram salvos e lamentos foram injustamente provocados.

Nesse caótico cenário que em se vivia o esporte desde seus primórdios, mudanças clamavam para acontecer.

Assim, depois de muita luta e resistência, o futebol permitiu que a tecnologia fosse utilizada em prol da justiça no esporte.

Dentre as últimas implantadas no futebol brasileiro, o VAR chegou para tentar amenizar os inúmeros equívocos cometidos pela arbitragem.

No entanto, como já mostrado em outros aspectos e momentos, o país reluta em aderir a ferramentas de progresso e evolução, quase sempre estragando aquilo que chegou para ajudar.

O universo do futebol brasileiro, infelizmente, também sofre desse mal.

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Acompanhando os comentários de jornalistas e comentaristas brasileiros após o apito final do jogo entre Manchester City e Tottenham, onde o gol ilegal do City foi anulado tudo ficou claro: Para alguns, a justiça no esporte não deve ser aplicada em todos os momentos.

É inadmissível você não aplicar aquilo que é certo só para que uma partida seja mais emocionante ou para que o roteiro de um filme se concretize.

Desejar que seja validado um gol irregular só para que uma equipe seja protagonista de uma heroica classificação é raso e irracional.

Querer desclassificar uma equipe de forma injusta e equivocada em razão do espetáculo mostra o porquê do jornalismo esportivo brasileiro se encontrar nesse lamentável patamar.

As polêmicas em torno de arbitragem não vão terminar por conta do VAR. O que precisa acabar é esse jornalismo romântico pautado no antigo futebol, que preza pela polêmica a qualquer custo – mesmo quando hoje, em alguns aspectos, não se permita mais tal polêmica.

São Paulo se arrisca ao manter André Jardine no comando

André Jardine já chegou ao comando do São Paulo convivendo sob os olhares de desconfiança da mídia e da torcida.

Sua efetivação, confirmada em meio aos resultados ruins da equipe do Morumbi deixou ainda mais clara a pressão que ele teria de conviver.

andré jardine são paulo

O treinador da base assumiu a equipe principal na reta final do Brasileirão último ano com a indigesta missão de fazer o time garantir, ao menos a vaga direta para a edição desse ano da Libertadores da América.

O São Paulo, que liderou o campeonato em boa parte, teve uma impressionante queda de rendimento no segundo turno naquele Brasileiro, garantindo apenas a classificação para a fase prévia do torneio continental.

Passado o turbulento fim de ano, o jovem treinador teve na Flórida Cup a oportunidade de mostrar a evolução e, principalmente, bons resultados.

No entanto, diante de novas derrotas, ainda que em uma competição preparatória, fez a pressão sobre ele aumentar.

O desempenho do São Paulo nas rodadas iniciais do Campeonato Paulista também está bem abaixo do desejado pela diretoria e torcida tricolor.

No entanto. os altos e baixos do time até agora foram tolerados porque o jogo que de fato importava para o São Paulo era aquele realizado ontem na Argentina contra o Talleres. Confronto esse que definirá o resto da temporada tricolor.

Com a chance de afastar a desconfiança em seu trabalho, André Jardine, mais uma vez não conseguiu surpreender e o São Paulo corre agora sério risco de se despedir precocemente do principal torneio do continente.

Caso o clube deseje realmente seguir em frente na competição deverá, antes de tudo, trazer para seu comando um treinador experiente e que saiba lidar com situações tão adversas como é a atual desvantagem de 2 a 0.

André Jardine pode ter um futuro brilhante em sua carreira de treinador. No entanto, permanecer na linha de frente do São Paulo, protagonizando um possível fracasso na Libertadores, pode ter custo muito alto para o profissional .

Palmeiras campeão e um futebol que merece ser repensado

O Palmeiras é o campeão brasileiro de 2018. Não há o que discutir. Título merecido e inquestionável, que serve para Felipão mostrar que seu estilo de jogo ainda é eficiente e garante bons resultados.

No entanto, a forma de sua equipe disputar uma partida de futebol não é de encher os olhos daqueles que prezam pela qualidade além do placar.

A proposta de jogo que o treinador tem mente visa eficiência, deixando em segundo plano a qualidade ou nível técnico de uma partida.

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Suas equipes são montadas pensando, primeiramente, em não sofrer gols, algo que ele demonstrou brilhantemente nesse campeonato.

Os atacantes, no entanto, em raras ocasiões balançaram as redes adversárias por três vezes ou mais numa partida.

A forma de jogar do Palmeiras nesse campeonato é muito clara. Tentar marcar antes que o adversário e depois garantir o resultado atrás.

É uma forma eficiente, mas pobre de se vencer.

Essa receita, no entanto, ainda funciona por aqui. Sinal que o futebol brasileiro precisa evoluir muito para que consiga fazer frente àquele praticado nas principais ligas do mundo.

Mostra que essa nova geração de treinadores ainda não conseguiu fazer algo que pudesse superar essa ultrapassada eficiente forma de enxergar uma partida.

O Palmeiras é hoje com todo mérito, a melhor equipe do país. Mas para aqueles que gostam de ver o futebol ser, de fato, jogado, algo novo precisa surgir, ou então resgatado.

O futebol brasileiro precisa retomar sua identidade.

Jogar por apenas uma bola é muito pouco para quem se diz ser o país do futebol.

Não basta a Portuguesa contar com o “Rei do acesso”

Conhecido por conseguir conquistar vagas a divisões superiores com diversas equipes,o “Rei do acesso” terá a difícil missão de reconduzir a Portuguesa novamente à elite paulista.

No entanto, nessa nova jornada, o técnico terá em mãos um elenco de baixo nível técnico além de pouco ou nenhum dinheiro para contratações.

Os jogadores que a Portuguesa conseguiu trazer nas últimas temporadas seguiram apenas o critério do baixo custo, sendo muito deles, pouco conhecidos e de qualidade técnica questionável.

Seu desempenho nos poucos torneios que disputa ficou muito aquém daquilo que o clube necessita para voltar a figurar em um patamar de maior significância no futebol.

A torcida ainda encontra forças para apoiar o time, resistindo aos fracassos e vexames que se enfileiraram nos últimos anos.

CAMPEONATO BRASILEIRO 2016 - SÉRIE C: PORTUGUESA X BOA ESPORTE

A chegada de um treinador com um histórico de sucesso em conquistar acessos é apenas o primeiro ponto a ser acertado pela diretoria.

O próximo passo é trazer para o clube atletas com o mínimo de qualidade e noção de jogo, algo que esteve bem distante dos últimos que passaram pelo Canindé.

Além disso, quem vier para vestir o manto rubro-verde, além da habilidade com a bola, deverá mostrar também comprometimento e respeito pela história dessa entidade que se aproxima de seu centenário.

A receita até pode parece simples, mas conseguir unir esses elementos não é o suficiente.

Será preciso torcer para que, não só esses componentes consigam “dar liga” e conduzam a equipe novamente à elite paulista.

Os torcedores lusitanos terão que torcer também para que os atos praticados por aqueles que administram o clube não afete o desempenho dentro das quatro linhas.

Somente com muita união, fé e trabalho é que a Lusa conseguirá sair da escuridão em que se encontra.