Fora da sombra

Muito se tem falado, exaustivamente, sobre a lesão de Neymar.

As pessoas ficam preocupadas, questionando se com isso as chances do Brasil vencer o mundial podem ter ido pelo ralo.

A todo momento as mídias voltadas ao esporte noticiam, quase como um lance a lance os fatos que vão acontecendo ao redor do jogador do PSG.

Operar ou não operar? Qual é, de fato, o prazo para sua recuperação? Aonde ele será operado? Quem decidirá isso?

O “endeusamento” que foi acontecendo por parte do próprio clube, da torcida e da mídia incomoda, dá a sensação de que não há nada de mais importante para se preocupar, que sem isso estamos fadados apenas a desgraças, de que não há vida para o futebol brasileiro sem a tal “ousadia e alegria” que ele propagou.

O que não se pode esquecer é que isso não é grande coisa, sendo de conhecimentos de muitos que já passamos por algo semelhante outras vezes.

O futebol já mostrou que mesmo sem uma grande estrela, uma equipe é capaz de grandes feitos, superando a desconfiança, chegando à glória.

Podemos nos lembrar que após o título no mundial de 1958, o Brasil na Copa seguinte perdeu Pelé logo no início da competição. Com isso, os holofotes foram direcionados a outro jogador, que trouxe pra si a responsabilidade de conduzir a seleção para seu bicampeonato.

Foi a ausência de Pelé que fez Garrincha brilhar ainda mais, sendo ele a imagem daquele mundial.

Um outro exemplo, mais recente é a conquista da Eurocopa de 2016 pela seleção portuguesa, que justo na final acabou ficando desfalcada de Cristiano Ronaldo, cabendo aos então coadjuvantes, a missão de vencer os anfitriões franceses na grande decisão.

Devemos ter em mente que o futebol é um esporte coletivo, que o conjunto é o diferencial. Achar que tendo uma estrela no time seremos imbatíveis é um grande equívoco, assim como pensar que sem ela não temos nada é um equívoco ainda maior.

A possível ausência de Neymar na Copa em junho deveria ser encarada pelos demais jogadores da seleção como uma chance rara de sair da sombra do queridinho do povo e mostrar para o mundo que o time não gira em torno de apenas um.

O Brasil tem  vários outros jogadores que merecem a chance de mostrar todo seu potencial, que podem ser vistos como “o” cara da Copa.

Então enxuguem as lágrimas, saiam desse luto inútil e, se realmente torcem pelo futebol brasileiro, passem a apoiar quem pode, de fato, estar na Copa fazendo a diferença, conquistando até, quem sabe, o tão esperado hexa.

E se até lá Neymar já tiver novamente à disposição da seleção, toda essa preocupação e pessimismo que assolam os torcedores terão sido à toa.

Parem de se preocupar, afinal, o futebol brasileiro é maior que isso.

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